A 6ª edição do jornal impresso do Campos Ocorrências já está disponível em diversas bancas e pontos espalhados pela cidade. Desta vez, o destaque vai para a polêmica das ciclofaixas em Campos. Confira a matéria e fique por dentro de todos os detalhes.
Cabe ressaltar que o jornal completo você tem acesso de forma gratuita em diferentes bancas espalhadas pela cidade.
Confira a matéria de capa:
Nos últimos meses, a população de Campos convive com uma nova realidade do trânsito da cidade: as ciclofaixas espalhadas pelas ruas e avenidas. No entanto, a implantação desse sistema de tráfego gera comentários positivos e negativos que resultam em uma grande polêmica. Afinal, tudo o que é novo gera um conflito de interesses.
Atualmente, Campos possui aproximadamente 24 km de ciclofaixas instaladas na cidade. Desse total, somente de 2021 para cá, cerca de 20 km foram implantados, com o objetivo de garantir maior segurança aos ciclistas. O Instituto Municipal de Trânsito e Transporte (IMTT) diz que a ampliação da malha cicloviária já vinha sendo debatida desde o governo anterior, conforme determinado no Plano de Mobilidade, e explica que toda a malha foi estruturada nos últimos anos após estudos técnicos e diálogo, principalmente com os setores do comércio, como a Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL).
Mas é no ramo do comércio que existem alguns dos maiores problemas, pois os proprietários de diversos estabelecimentos se dizem prejudicados com as ciclofaixas.
“O nosso movimento caiu. Agora com as ciclofaixas não há onde os clientes estacionarem. Já me falaram que nunca mais voltarão para comprar na loja, porque pararam rapidinho para comprar e já foram multados. Daqui a pouco os comerciantes vão fechar as portas e haverá mais desemprego na cidade”, disse Ricardo Barbosa, comerciante na rua Barão de Miracema.
A reportagem também conversou com o advogado Yuri Monteiro, pós-graduado em Direito de Trânsito e membro da Comissão de Trânsito e Mobilidade Urbana da 12ª Subseção – OAB Campos. Como especialista, ele falou sobre a existência de uma tendência mundial e apontou medidas que não estão sendo implantadas pela Prefeitura.
“Campos não fica de fora da tendência mundial de redução do número de veículos automotores nas vias públicas, com a consequente diminuição na emissão de gases poluentes, visando a melhoria da qualidade de vida da população. Dentre as principais implantações no sistema de tráfego sustentável, destaca-se na cidade de Campos as obras relacionadas à evolução do transporte ciclístico. Isso se deve ao grande tráfego de ciclistas na planície”, explicou Yuri.
Porém, o especialista também pontuou que, diante das insatisfações de comerciantes e condutores, cabe ao poder público o trabalho de convencimento da população sobre os benefícios das ciclofaixas. Na visão do advogado, diversas medidas que são estabelecidas pela norma municipal não estão sendo implantadas pela Prefeitura em conjunto com a construção de ciclofaixas.
“Não estão sendo observadas melhorias no transporte público, regularização das calçadas, melhoria da acessibilidade para pessoas com necessidades especiais e, principalmente, a integração entre os diversos meios de transporte. Sem tais medidas, as insatisfações tendem a aumentar, já que não se dá possibilidade a boa parte da população, que não utiliza o transporte ciclístico, de usar outras formas de locomoção”, finalizou o especilista.
Quem mais se beneficia nessa longa história são os ciclistas, que agora passam a usufruir em uma área destinada a eles. Mas mesmo assim, ainda tem aqueles que fazem suas leves ponderações.
“As ciclofaixas me dão mais confiança e segurança na hora de transitar com a bicicleta, porém não são em todas as ruas que me sinto confiante. Por exemplo, em rua de mão única, muita das vezes os motoristas não olham para o lado oposto e fico preocupado em me acidentar. E em muitas ruas, as ciclofaixas são bem pequenas, quase andando pela calçada”, pontou Fillype Alves, estudante que pedala diariamente nas ruas de Campos.