Campos por muito tempo se destacou na cultura. Além das tradições e riquezas materiais e imateriais da cidade, diversos campistas saíram da planície e ganharam o Brasil com sua arte. Apesar da cidade ter prédios voltados para a finalidade, recentemente a política de cultura tem se resumido a eventos como shows e festivais, especialmente de artistas de fora, levando ao esvaziamento do setor dentro da cidade para os campistas.
Provavelmente você tem alguma lembrança do Palácio da Cultura. Na era de ouro, uma das construções mais modernas do Brasil, levantado na Pelinca, celebrou a arte e ostentou um belíssimo jardim assinado por Burle Max, paisagista que emprestou seu talento para o Aterro do Flamengo na cidade do Rio de Janeiro. O Palácio da Cultura além de abrigar a Biblioteca Nilo Peçanha, destino de pesquisas escolares, tem auditório e até um memorial dedicado aos campistas que fizeram parte da história, como João de Oliveira que levou seu talento para o Louvre em Paris.
Outro lugar rodeado de encantos é o Teatro de Bolso Procópio Ferreira, que revelou diversos artistas para o Brasil como Tonico Pereira, foi também palco de um dos maiores movimentos de resistência artística da cidade, ao ser ocupado pelos fazedores de cultura após fechamento por parte da Gestão Rosinha Garotinho.
O Teatro de Bolso e Palácio de Cultura, reabertos na gestão Rafael Diniz, parecem não ter até hoje um propósito real para seu uso. A Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima tem focado em apenas em eventos pela cidade. Como exemplo, temos o Festival Doces Palavras, que será sediado na Villa Maria que foi recém reformada pela Uenf. O Trianon também é a casa dos artistas, mas de fora, que cobram dezenas ou centenas de reais por um único ingresso.
Enquanto prédios como o Museu Olavo Cardoso e José Candido de Carvalho agonizam, ou se mantém restrito aos campistas, fazendo artistas procuram as ruas e locais fechados para apresentarem seu talento. É como se Campos não tivesse cultura feita por campistas. Locais como Santa Paciência acabam virando refúgio e leva o nome ao pé da letra quando o assunto é a sobreviver da arte.