A Comissão de Transparência e Fiscalização e Controle do Senado tem debatido as metodologias e os sistemas usados nas pesquisas eleitorais de intenção de voto. Senadores e especialistas que participaram da reunião criticaram institutos de pesquisas por terem errado previsões, acima das margens de erros, nas eleições de 2018 e 2022 e defenderam que o Congresso Nacional deve legislar sobre o tema para evitar erros ou manipulações de dados que possam favorecer determinados candidatos.
Em Campos, uma pesquisa divulgada às vésperas da eleição mostrava o candidato Wladimir 14 pontos à frente de Caio Vianna. Porém, nas urnas, a diferença foi de apenas 4 pontos. Uma mudança muito acima da margem de erro.
Em 2022 a Polícia Federal abriu inquérito para investigar institutos de pesquisa após pedido da campanha do presidente Jair Bolsonaro, que apontou divergências entre resultados de pesquisas e a votação no primeiro turno da eleição presidencial. O pedido para abertura da investigação foi feito ao então ministro da Justiça Anderson Torres pela campanha à reeleição do presidente Jair Bolsonaro. A coligação pediu a apuração de um crime previsto na legislação eleitoral sobre “divulgação de pesquisa fraudulenta”.
Na avaliação do senador Eduardo Girão (Podemos-CE), “a sociedade brasileira ficou estarrecida com, mais uma vez, uma diferença brutal de alguns institutos de pesquisas”, nas pesquisas eleitorais das eleições de 2022.
Ele voltou a defender a aprovação de um projeto de sua autoria (PL 5.379/2020) que proíbe a divulgação de pesquisas eleitorais nos 30 dias que antecedem as eleições. Para Girão, é preciso regulamentar a questão para evitar que pesquisas, segundo ele, tendenciosas, acabem influenciando na decisão do eleitor.
— As pesquisas eleitorais promovidas, principalmente pelos grandes institutos de pesquisa, têm se distanciado muito da realidade das urnas. Portanto, seja por falha sistemática, seja por dolo em fraudar, essas instituições têm conseguido induzir o eleitor a optar pelo voto útil, qual seja: o que reduz as opções de voto ao primeiro ou ao segundo colocado nas pesquisas, em detrimento do voto de princípios — disse Girão.